Dili, 06 de dezembro de 2009.
Neste domingo quente, acordei as 7horas da madrugada, para ir a Ilha de Jaco, minha primeira viagem em Timor Leste, iamos em 6 pessoas, sendo que 5 iam de kareta e 1 ia de motorizada, mas na hora de alugar o carro na agencia timorense, meu Deus, os alugueis de carro no Brasil até onde sei tem seguro, estranho seria se fosse desta forma aqui em Timor Leste, a concessionária aluga o carro, mas qualquer dano que ocorra o problema é totalmente seu!! Enfim, não alugamos o carro e acabei indo de moto com o Alan. Tenho certeza que se estivesse no Brasil jamais passaria por uma aventura desta.
Veiculo abastecido, mala pronta, café tomado e rumo a estrada,saimos de casa em torno de 8horas da manhã, estrada, estrada, estrada, ..., as rodovias timorenses contornam as montanhas, logo são cheias de curvas, mas quanto mais me afastava de Dili mais tinha a nitida impressão de que realmente estava em Timor Lorosa`e, o Timor que encontramos no google, com casas tipicas, plantações de arroz, ovelhas nas estradas, fazendas de bufalos, coqueiros e mais estrada.
Fiquei muito satisfeita quando passamos pelas vilas ou sub-distritos e, as crianças gritavam enlouquecidas “malae, malae” e corriam para acenar ou esticavam as mãos para tocar nas nossas, sensação esta de filme, inexplicavel com palavras. Com os senhores e senhoras sentados em frente as suas residencias simples, com a expressão no olhar de que estou apenas esperando o tempo passar, sem a preocupação do próximo dia, apenas esperar ... E com um gesto simples com as mãos avisam que estavam nos vendo passar e que desejavam uma boa viagem.
Fizemos várias paradas, a primeira antes de Baucau, em Malatuto, o dono da venda (dificil explicar como são estas vendas, imagine a venda mais simples que já viu em nossas rodovias, estas ainda são de luxo comparado as que tem aqui. Conversamos com o senhor proprietário e algumas crianças que vieram nos tocar, quando partimos o senhor nos disse – boa viagem e ate amanhã-.
Chegamos em Baucau na hora do almoço, fiquei mais uma vez impressionada e ainda era apenas o começo da viagem, a cidade é ótima e não é tão quente quanto Dili, fiquei levemente arrependida de ter reclamado a possibilidade de ir trabalhar lá. Almoçamos, e estrada novamente ... Criação de ovelhas, fazendas de bufalo, terra a espera da época para o inicio da plantação de arroz.
A segunda parada foi antes de Lautem, não sei dizer o nome do lugar, nesta vila os moradores falavam fatuala, mas a funcionária da venda ou a proprietária sabia um pouco de tetum e portugues, com isso pude pedir be = água, novamente as crianças vieram nos cumprimentar.
Nos organizamos para passar a noite em Com, ou melhor, .com, no mapa quando você olha vizualiza um ponto marcando o lugar da cidade, então ficou popularmente conhecida por mim como .com, no entanto quando chegamos neste distrito o dono da unica pousada disse apenas FULL, também tinha um resort (Com international resort) após muitos questionamentos e conversa, conseguimos abrigo na casa de um timorense, mas eu não encarei não, com isso Los Palos era o nosso próximo destino, já estava bem cansada.
Seguindo para Los Palos, a mesma história, as casas, as fazendas, os bufalos ... mais uma parada não muito diferente das anteriores já comentadas, chegamos em Los Palos em torno das 18horas, o único hotel da cidade recebe o nome de Roberto Carlos, a referencia é feita ao jogador. Adorei a água deste hotel, desde de quando sai do Brasil meu cabelo não ficava tão bom, a água de Dili é horrível para os cabelos. Poderia ir sempre para Los Palos só para lavar os cabelos, mas tirando esta parte boa, ainda não tinha terminado o banho, quando acabou a água, em Timor as coisas são assim, quando tem usa logo e rápido, quando não tem melhor sentar e esperar.
No outro dia saimos novamente as 8horas da manhã, pois o mata bicho (café da manhã) só começava a ser servido as 7 horas, de mata bicho comido, seguimos para Tutuala, no meio do caminho mais uma parada e toda aquela narrativa que não vou fazer novamente, chegamos em Tutuala em torno das 11horas, procuramos a pessoa para reservar o almoço e marcar o horário da refeição, o Alan sabe tetum e estava conversando com a dona do restaurante na língua local e comigo em língua portuguesa, praticamente fazendo uma tradução simultanea, eu ainda não tenho dominio na língua, passou um tempo da conversa, a senhora disse que podiamos falar em portugues com ela (a senhora aprendeu portugues na época da invasão indonesia, foi para Portugal refugiada), almoço marcado.
Fomos a procura do barco para nos levar a Ilha de Jaco o lugar esquecido por Deus ou preservado por ele, o barquinho parecia com os de papel que fazia quando era criança, a travessia dura em torno de 10 minutos, finalmente chegamos a tão falada ilha e realmente tenho que concordar, é linda mesmo, tive a oportunidade de usar aqueles snorkle e ver o nemo, bem como outras muitas espécies de peixes, fantastico, não posso deixar de comentar que todas as conchas tinha um hospede, impressionante. Ficamos aproximadamente 3 horas neste lugar, e foi mais que suficiente para cansar os meus olhos de tanta beleza.
Quando se contrata o serviço do barqueiro já deve combinar o horário de volta, marcamos nossa volta para as 2horas e 30 minutos (acabou a bateria da minha máquina, não filmei a volta), voltamos para Tutuala e esperamos pela nossa comida, almoçamos e saimos rumo a Baucau as 16horas, a viagem de volta foi menos cansativa, mas tivemos uma complicação no percurso de volta, já havia escurecido antes de chegarmos em Baucau e não podiamos parar nas vilas para ver se tinha hotel, perderiamos mais tempo e possivelmente uma tentativa inutil de hospedagem, finalmente Baucau às 19 horas.
Em Baucau procuramos o hotel Vitoria para ficar, conseguimos os quartos, mas com uma condição precisavamos sair antes das 8horas da manhã, segundo a proprietaria o hotel estava reservado para uma cooperação portuguesa que chegaria naquele horário. Neste mesmo hotel em Baucau fomos informados pelo proprietário que o hotel serviu como ponto de reunião da cidade para as decisões políticas. Tomei banho de caneca, não tinha água encanada.
Saimos neste horário do hotel e rumo a Dili, com direito a 3 paradas no meio do caminho algumas nos mesmos lugares que paramos na ida, chegamos em Dili perto das 12horas, cansada, com fome, e com dor no joelho esquerdo, deixei as coisas em casa, descansei um pouquinho e fui para praia contar como foi a viagem para os brasileiros que ficaram.
Custo da viagem: $80,00 p/p
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Comunicação ...
Se comunicar com as pessoas nunca é fácil e aqui ainda é pior, a internet custa caro, para ter uma banda larga em casa são $200, 00 por uma conexão de 512k, pois é, com isso aprendi a nunca mais reclamar do valor pago no Brasil. Energia é outro fator complicado, em algumas residencias como já disse anteriormente tem gerador ou contador, outras usam a energia pública, engraçado isso, pois quando acaba a energia acaba até para quem normalmente paga.
Se escrever uma carta, levará muito tempo para chegar, se ligar, pagará quase $1,00 por minuto para falar, a questão da internet é uma lesma net, mas eai? O que eu faço para me comunicar com as pessoas que preciso??
Se escrever uma carta, levará muito tempo para chegar, se ligar, pagará quase $1,00 por minuto para falar, a questão da internet é uma lesma net, mas eai? O que eu faço para me comunicar com as pessoas que preciso??
Correr e gritar ...
Muitas vezes sinto uma imensa vontade de sair gritando rumo as montanhas e tenho a nitida impressão que se eu fizer isso elas vão se abrir e me libertar desta prisão.
Coisas ...
As coisas aqui estão començando a se acertarem, hoje tenho a nitida percepção do que vim fazer aqui, não digo em relação ao meu trabalho pela cooperação da capes, digo como pessoa detentora de um suposto conhecimento e uma visão cultural diferente. Tenho também a nitida percepção de que o meu aprendizado será execelente e voltarei com outras perspectivas e propósitos.
Coisas...
Organização economica ...
As questões economicas no comércio de rua se organizam da seguinte forma: as crianças/adolescentes vendem frutas (manga, banana e abacaxi), pois estes produtos tem um menor valor financeiro, os adultos já lidam com um tipo de produto mais importante como o pulsa (crédito para celular), bem como aparelhos de telemovel ching-ling vendido nas esquinas, as mulheres, com grande participação comercial é quem recolhe pedras na praia para a construção civil, são elas também que carregam a mercadoria comprada, por exemplo a água em grandes galões. Cambada de homem folgado.
As questões economicas no comércio de rua se organizam da seguinte forma: as crianças/adolescentes vendem frutas (manga, banana e abacaxi), pois estes produtos tem um menor valor financeiro, os adultos já lidam com um tipo de produto mais importante como o pulsa (crédito para celular), bem como aparelhos de telemovel ching-ling vendido nas esquinas, as mulheres, com grande participação comercial é quem recolhe pedras na praia para a construção civil, são elas também que carregam a mercadoria comprada, por exemplo a água em grandes galões. Cambada de homem folgado.
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