Timor Lorosae
O dia 05 de janeiro consegui finalmente a minha independencia, comprei uma moto, não foi muito dificil fazer isso, fui na véspera olhei o preço, considerando que todas que tinham lá eram iguais, nem tive dúvida de qual cor eu queria, pois já tinha decido qual seria, neste dia passei no banco saquei o dinheiro, no dia seguinte, pela manhã fui a loja, entreguei o dinheiro e a moto já era minha, mas com um detalhe, um amigo (Anderson) foi comigo para trazer o veiculo para a minha casa, não ia sair da loja pilotando a minha moto neste transito caotico.
Dei as primeiras voltas aqui no espaço próximo a minha casa, passei parte do dia fazendo isso, durante a noite fui dar uma volta pela cidade, mas ainda não tinha a segurança de ir sozinha, o Alan (fiquei surpresa com sua atitude) me acompanhou com a moto dele, fiz isso por duas noites, e durante o dia continuava tentando fazer o 8 no mesmo espaço.
No terceiro dia de liberdade me aventurei a ir no posto abastecer, nossa que maravilha, com 3contos enchi o tanque, os dias continuaram com as minhas voltas no quintal e me aventurava indo à lugares próximos.
Uma semana depois fui me informar no departamento de transito sobre o que precisava para tirar a carta permissão (habilitação timorense), após esta informação, fui ao hospital fazer os exames médicos, otimo, já podia voltar para o departamento de transito.
Tudo aqui é preciso esperar, como já era umas 2 horas da tarde me mandaram voltar no outro dia as 8 da manhã, para que não me mandassem voltar outro dia cheguei exatamente as 8!! Engraçado, me mandaram voltar com a minha moto, e eu teria que fazer o teste com o meu veiculo.
O lugar da prova fica em torno de 20 km da cidade, montanha a dentro, meu Deus, não fazia ideia de como chegar neste lugar e no departamento não tinha ninguém para me acompanhar, por sorte um timorense que estava indo fazer o teste disse que eu poderia segui-lo, otimo, problema resolvido.
Neste dia estava uma manhã triste com cara de chuva as 09 horas da manhã, e o horário da chuva se confirmou. O timorense na frente de carro e eu o seguindo com a minha moto, chuva, chuva, chuva ... montanha, montanha, desfiladeiro, não sabia se olhava para frente e me focava no caminho ou se olhava pro desfiladeiro e sentia medo do que poderia acontecer comigo, mas tudo bem, finalmente cheguei, detalhe minha motinha subiu alguns trechos a 20km e por mais que eu tentasse acelerar não saia dos 20km, finalmente cheguei e entendi qual era o interesse do timorense comigo, ele precisava fazer o teste de moto tambem, mas não tinha a moto, por fim emprestei a minha.
Fiz o teste depois dele, pois precisava ver como era, não tinha entendido a explicação em tetum, finalmente a minha vez, fiz o contorno nos pneus, fiz uma vez o oito e quando estava quase colocando o pé no chão comecei a cantar “olha que coisa mais linda, não coloque o pé no chão, mais cheia de graça ...”, terminei o oito, precisava agora fazer o zero e foi a mesma história, continuei cantando, o timorense gritava “fica calma, precisa ter calma” e o instrutor louco para reprovar a ‘malae bulak’ (estrangeiro doido) que cantava na hora da prova, ufa, acabou, e fui aprovada, quando desci da moto tremia muito!!! Recebi os parabens da minha torcida de uma pessoa só.
Mas esqueci de dizer que perguntei ao instrutor se podia colocar o pé no chão, com toda paciencia ele respondeu “sim, se colocar reprova”. Teste terminado recebia a orientação que precisava ir ao departamento de transito no dia seguinte às 9h. Fiquei esperando meu guia terminar a prova de careta (carro) para poder voltar para Dili. A volta foi mais tranquila e já não chovia.
No dia seguinte as 9h estava eu no departamento de novo, causei uma imensa confusão. O instrutor veio me explicar que tinha o teste de percurso pela cidade, mas que era para eu esperar, já estou mesmo acostumada a esperar, estacionei a moto na sombra, sentei, esperei uns 40 minutos, quando o grupo do teste voltou, o instrutor novamente veio falar comigo, disse que eu precisava continuar esperando e pagar, continuei esperando, ate que um outro funcionario veio perguntar se eu já tinha feito o teste, disse que não e que estava esperando, a confusao comecou ai, vou organizar em dialogos para ficar mais facil.
(chefe do departamento) - senhora, já fez o teste?
(EU) - não, estou esperando, senhor instrutor disse para eu esperar que ia fazer depois.
(chefe do departamento) - ah, senhora, agora não tem mais teste, volta as 13h.
(EU) - não posso voltar as 13horas, tenho servico (justo o único dia da semana que trabalho), estou aqui desde as 8h 50min. Esperando e não vou fazer a prova, quero fazer agora!!!
(chefe do departamento) - Espera.
Continuei esperando ... outras pessoas falaram comigo ate que ... o instrutor me chamou em um canto ...
(instrutor) Senhora, não disse para senhora que era só esperar e pagar?
(EU) sim, disse.
(instrutor) – então porque foi falar ao meu chefe que não tinha feito a prova? Eu já aprovei a senhora, não vai precisar fazer o percurso em Dili, só precisa pagar agora.
Neste momento minha cara foi no chão e eu só conseguia perguntar se ele teve problemas e pedir desculpas.
Depois desta confusao toda o que me restou foi tentar conserta-la. O chefe do departamento veio dizer que eu ia fazer a prova com outro instrutor, mas foi falando e eu fui seguindo-o rumo a minha moto, quando ele parou e perguntou:
(chefe do departamento) – Todos aqui estão dizendo que a senhora já fez o teste, fez ou não fez?
(EU) – fiz, mas não tem outro? Pensei que teria que fazer mais um.
(chefe do departamento) – Não senhora, precisa apenas esperar e pagar, tirar cópias e por ultimo tirar foto.
Tirei quantas copias pediram, fiz tudo que falaram, mas agora com um pouco mais de atenção e no fim o ultimo processo é a foto e justo com o chefe de departamento.
(chefe do departamento) – Senta aqui.
Sentei, tirei a primeira foto, não gostei, pedi para que tirasse outra, fiz isso duas vezes, mas percebi que ele já estava ficando irritado comigo. Na terceira deixei que ficasse aquela mesmo, já que não estava mudando muita coisa.
As ultimas palavras do chefe de departamento foi “agora senhora já tem carta permissão, vai para casa e aparece aqui só no dia 26 de agosto para pegar o cartão, não precisa voltar antes e não quero mais te ver. Bom serviço para senhora”.
Será que eu causei tanta confusão assim?
Bom, sai de lá e passei no hotel Timor para tomar uma coca – cola, agora já tinha o papel que me autorizava a pilotar podia ir pra onde pretendesse.
Na parte do café tinha 2 policiais do transito e eu não podia perder a oportunidade de falar que eu TENHO carta permissão, e fiz isso, fui puxando assunto, perguntei sobre as multas, os valores ... ate que eles me perguntaram se eu tinha a carta, kkkk, tirei da carteira e mostrei, e ainda disse que tinha acabado de ir lá buscar, hehehehehhe, depois o policial me ligou a noite para tomar cerveja, eu não fui não!!!
Só fui a praia dois dias depois com a moto.
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