sábado, 3 de abril de 2010

Já choveu, já saiu o sol e ainda estamos aqui. (kupang rumo a Larantuka – Ilha de Flores)

Já choveu, já saiu o sol e ainda estamos aqui. (kupang rumo a Larantuka – Ilha de Flores)

Será que vamos sair hoje ainda?

Chegamos aqui as 11horas da manhã, agora são 15horas e 50 minutos, compramos os tickets para área VIP, ou seja, cadeiras almofadas e ar condicionado, pobres criaturas despovidas de informações, as cadeiras sim tinham almofadas, no entanto de tanto serem sentadas, as almofadas já estavam finas e o ar gelado do A. C. de tão quente que estava o ambiente mal ventilava o calor infernal.
O Narkoba (nome do navio) é maior que o irmão Nakroma (este vai para Atauro e fica em Timor Leste), neste navio há as divisões entre primeira classe quente, primeira classe não tão quante, segunda classe e as pessoas ficam amontoadas no convés, no entanto é o lugar mais ventilado.
Apel, apel, apel, o vendedor de maça grita, aqua, aqua, aqua, a venderora de água e nos continuamos aqui, sentados esperando. O tédio já passou, o mau humor já foi, já ouvi música e ainda estamos aqui...
A Rosiete já fez mil e uma proposta para sairmos correndo deste navio e pegarmos a primeira ponte área, no entanto, isso vai contra a minha moral, uma vez que já tinha decidido fazer esta viagem não poderia desistir. O Umberto Doisberto, encarou muito bem este desespero, acho que este navio não é nada perto das experiencias que já deve ter passado.
Dia 26 de março, em torno das 21horas chegamos em kupang, eu, Rosiete e Umberto, fomos para o hotel Maliana, ja conhecia este hotel e sabia das condições, mas pelo menos quando fiquei da outra vez o quarto tinha ar condicionado e, desta esta FULL, e novamente o FULL me persegue em viagens. Mudamos de hotel, fomos para o hotel vizinho, hotel Maia, mas continuei frequentando a internet do Maliana.
Acabamos ficando em Kupang um dia (27/03), no dia seguinte, em torno das 10horas a madre, que conhecemos na viagem de Dili para Kupang, passou no hotel de taxi para nos pegar, viemos para o porto, compramos o tickt, entramos no navio, poltronas escolhidas, ótimo, já podemos viajar? Chega o meio dia, passa uma, da duas, tres horas, quatro horas da tarde, já estava de saco cheio de esperar.
A Rosiete em torno das 15horas cogitou a possibilidade de irmos de avião, mas eu não podia fazer isso, afinal ja tinha reelaborado meu roteiro, mas chegou um momento da tarde, por volta das 16h e 30, que fui obrigada a dizer a ela que se me chamasse pra ir de ponte área naquele momento eu ia. Foi o que ela fez, mas as pessoas que conhecemos no navio naquele momento disse que não ia ter voo, e não deu outra, eles ligaram para a companhia área e estava FULL (de novo o full), sentei, refleti e decidi continuar. A Rosiete continuou com a possibilidade de desistir da viagem e voltar para Dili, por fim resolveu ficar conosco.
Aqui o calor é insuportável, como estamos na Ásia, dilarong merokok é a mesma coisa que pode fumar, naquele momento estava passando um pouco mal, percebi que a minha pressão ia cair, sai da primeira classe do navio e fui para o convés, lá a ventilação é bem melhor, pois é aberto.
Chega cinco, cinco e meia e nada, no hotel nos informaram que o navio saia às 16h, outros disseram que saia as 14h, mas na verdade ele sai às 18h, mas realmente tem que chegar cedo para conseguir um lugar.
O navio partiu às 18horas, como sou iniciante nesses assuntos maritimos, tenho certeza que isso vai ser tão longo quanto a noite interminavel no pacífico. Já jantei um delicioso pop mie e não encarei a comida servida no navio, acabei dando o ticket para uma moça que tinha conhecido e que estava nos ensinando algumas palavras em lingua indonesia, nem ela comeu, qual era o problema com a comida? Não consegui descobrir.
Agora observando as pessoas neste ambiente, percebo o quanto somos futeis, não sei quantas pessoas tem aqui, mas não vejo ninguem reclamando do calor, ou da falta de conforto, muito pelo contrário, aqui são pessoas educadas e sorridentes. Fomos muito bem recebidos neste navio, e nos ensinaram muitas palavras em malaio indonesia (eu ja não lembro mais nenhuma).
O navio tem previsão para chegar as 6horas da manhã, mas duvido muito deste horário, pois nem o horário de partida as pessoas sabiam informar, então vamos esperar e aproveitar esta viagem.
Realmente a viagem foi mais longa do que aquela noite interminável no pacífico, dormia uma hora e acordava, olhava para o relógio e pensava “menos uma hora”, dormia novamente e o mesmo pensamento, até que consegui uma posição confortável naquela poltrona e consegui dormir 4horas seguidas, acordei e comemorei o tempo que já tinha passado, ufa, o dia já estava quase amanhecendo.
As primeiras horas da manhã pareciam mais longas do que a noite interminável, começava a avistar algumas ilhas, o sol gritava nas janelas de vidro e o calor da manhã aumentava e nada de chegar em Larantuka. Finalmente em torno das 9horas chegamos a terra prometida “Terra a vista" eu gritei, mas acontece que isso já tinha sido gritado antes, tudo bem nem tudo é inédito mesmo.
Esperamos uns 15 minutos até a muvuca de pessoas saindo diminuir, afinal já tinha esperado tanto tempo que 15 a mais 15 a menos não ia fazer diferença. Saimos do navio, meu Deus!!! que zona, as pessoas de Larantuka estavam todas no porto esperando alguma coisa e oferencendo transporte, eles fazer um corredor e a policia organiza a muvuca, transport, transport, taksi, taksi ... e assim vai até acabar o corredor.
Já estavamos cansados e não tinhamos hotel em Larantuka, após caminharmos uns 5 minutos no meio dos transportes encontramos uma venda e entramos, ótimo, podiamos pensar no que fazer agora, abri o guia e comecei a ligar para os hoteis que o guia indicava, FULL, FULL, até que a atendente da venda percebeu o que queriamos e passou o nome de um hotel – hotel Fortuna – e ainda chamou um taksi para nós, os taxi são como as mikrolets em Dili, você paga e todo mundo entra.
Neste taksi percebemos que havia uma diferença para nós dos nativos, uma diferença de 8.000,00 rupias, pois é, para nós o valor era de 10.000,00 e para os nativos era de 2.000,00. Chegamos no hotel Fortuna loucos por um banho e uma cama, mas só podiamos passar um dia lá, pois o hotel todo estava reservado no dia seguinte, devido a procissão da semana santa. Chegamos no hotel umas 11h e 30min.
Banho tomado, cama ...
Acordamos umas 13 horas e fomos a procura de almoço e, nada de lugar normal para comer, precisavamos comprar as passagens para Maumere a próxima cidade do nosso roteiro, pegamos o taksi que todo mundo entra e fomos para o terminal, terminal vazio. Naquele momento a fome bateu forte, descobrimos que as passagens são vendidas na hora, ou seja, só as 16horas, no horário do onibus.
Pegamos outro taksi e fomos a procura do restaurante que tinham nos indicado, não encarei, continuei no taksi, voltei para o hotel e pedi 3 pop mie, 2 para o almoço e um para a janta caso tivesse fome, o da janta ficou do jeito que deixei e o omeprazol foi necessário.
Café da manhã tomado, bolo gostoso com textura estranha, chá, banana frita e ovo cozido, as 7h e 30 da manhã saimos do hotel, a recepcionista parou o taksi para nós e disse para o motorista aonde deveriamos ir, no meio do caminho o motorista começou a falar, fala do motorista: *&^%$#@!, depois de algum minutos entendemos que ele estava oferecendo para nos levar até Maumere por 400.000,00 rupias, negociamos o valor, seratus ribu, seratus ribu, seratus ribu, apontando um seratus ribu por pessoa, ou seja, 300.000,00, o motorista concordou e começou a nossa viagem até Maumere.
Celular com adaptador para o som do carro e as caixas de som que mais pareciam uma caixa de abelha na minha orelha, não conseguia para de pensar “quando a bateria do celular vai acabar?” mas a paisagem era linda e ele sempre falava alguma coisa para mim e apontava, fala do motorista: !@#$%^&(), para fazer de conta que eu entendia o que ele estava falando eu olhava e repetia a última palavra, não entendia o que era, mas sabia que era para eu olhar para onde ele estava apontando e sempre ficava surpresa com o que ele mostrava.
A viagem teve duração de 4horas, com uma paisagem surpreendente, fascinante, maravilhosa, não tenho palavras para descrever o tamanho de beleza que vi. Vale a pena e nem foi tão cansativa quanto a de barco.
Um amigo em Dili me deu um maço de cigarros LA, e disse que para uma eventualidade, pois foi bem útil o cigarro, dei para o motorista e fiz um amigo, seu nome era Nelson e o ajudante menor de idade era Nardo, como não sabia dizer “para você” em lingua indonesia, coloquei o maço junto com o de gudang dele e ele entendeu o que eu estava fazendo, sorriu e em seguida fumou um.
Este motorista não falava uma palavra em Ingris (Ingles) e nem Portugis (portugues), ele falava as coisas para mim na lingua dele e eu contava histórias em portugues. Disse para ele que já tinha ligado para minha mãe, que tinha falado com meu irmão e que minha mãe tinha mandado lembranças a ele e que estava tudo bem com a minha irmã. Falei também que eramos professores (guru) em lingua indonesia. Ficou todo cheio de ares.
Chegamos em Maumere as 11h e 30 da manhã, viemos para o hotel que o guia indicava e que eu tinha feito a reserva no dia anterior, hotel Maiwuali, agradável e com pessoas simpáticas.
Esqueci de dizer que o turismo feito em Larantuka nesta época do ano é turismo religioso, eramos os únicos no barco, logo todos já sabiam que estavamos ali, também não vimos nenhum outro turista como nós na cidade. Realmente turista é um bicho estranho e engraçado.
O Nelson e seu ajudante nos deixou no hotel e ai eu fui entender que ele era de Maumere, até nos mostrou a sua casa aqui, o mais interessante é que seu nome estava escrito no vidro do carro, ele fez questão de mostrar, fiz a brincadeira que meu nome deveria estar no outro vidro.
Aqui somos chamados de “bule” em Timor Leste de “Malae” e no Brasil de “gringo”, quantos nomes para turista, após o check-in no hotel saimos na captura do almoço, aprendi em Dili que restaurantes indonesios com RM no logo servem carne de cachorro, mas aqui em flores a madre já tinha nos alertado sobre isso, mas todos os restaurantes tinham RM, sim, eu abandonei o pop mie e encarei o bakso. Pedi omelete, sai para comprar um isqueiro, voltei para o restaurante com um pote de sorvete e depois os estranhos são os nativos por comerem cachorro, devorei o sorvete enquanto esperava o omelete, o peixe da Rosiete estava muito bom e o do Umberto não encarei não, no omelete tinha um treco vermelho por cima, como um molho, não sei dizer o que era aquilo, mas foi o meu almoço e estava uma delicia, na sobremesa panqueca de banana.
Estamos de passagem nesta cidade, amanhã cedo vamos para Ende, a cidade dos vulcões “Kalimutu” e depois seguimos para Lambua bajo, para o grande momento ... os dragões de comodo. Em Labuam bajo temos hotel reservado e um guia contratado a nossa espera. Gladcya obrigada por ter passado o contato do Richard estou sendo muito bem tratada por ele.
Aqui em Maumere as casa tipicas são com palha trançada, isso deve ser trabalhoso...

Em Maumere compramos ticket`s, ops, tickets, tinha um carro que ia vir pra Ende, a nossa próxima cidade, pagamos 70.000,00rp cada um e viemos neste carro, a viagem estava tranquila até uma moça que estava no banco de tras começar a vomitar, vomitava e dava risada, não entendi muito bem o riso, mas se ela estava achando engraçado eu não estava!! Na parada para o almoço demos um plazil para tomar, nem isso resolveu, falei pro Umberto que tinha que ser dois, assim ela ia dormir e acordar só em Ende (teria ficado melhor e eu não ouviria o vomito dela).
Chegamos em Ende e para mudar um poquinho não tinhamos hotel, não consegui fazer a reserva. Pedimos para o motorista nos levar a um hotel bagus (hotel bom), ele nos levou para o hotel Safari, e era um Safari mesmo a caçada aos pernilongos havia começado, tinha tanto, mas tanto pernilongo que precisei sair do quarto, pois não cabia o meu corpo lá dentro, se ficasse no quarto ia desalojar os pernilongos. Fui a recepção pedir baygon, antes não tivesse feito isso, o veneno entrou e eu fiquei umas duas horas para fora devido ao cheiro do veneno.

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